Banco deixou de pagar CDBs em 2008
No fim de 2008, quando o Brasil sofria os efeitos mais intensos da crise financeira internacional, o banco Panamericano chegou a suspender resgates de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de grandes clientes. A atitude, claro, irritou os detentores dos títulos, que queriam ver seu dinheiro na mão e não conseguiram. Por isso, o banco deixou de ser opção de investimento para várias entidades do mercado, como fundos de pensão.
Ainda que o problema tenha ocorrido em meio à pior crise global desde 1930, deixa em evidência que as dificuldades do Panamericano começaram lá atrás – e independem das fraudes contábeis descobertas recentemente pelo Banco Central (BC).
Por trás dessas dificuldades, explica um analista que pede para não ser identificado, está a opção do banco em se especializar numa área com altíssimos índices de calote: financiamento de automóveis usados.
Em junho deste ano, os empréstimos para automóveis em geral representavam 63% da carteira de crédito de R$ 9,3 bilhões. A maior parte era de automóveis usados, pois o banco só começou a financiar carro zero quilômetro em 2009.
Para se ter uma ideia de como esse negócio passou a ser malvisto a partir de 2008, os grandes bancos praticamente desistiram desse segmento. O raciocínio que embasou a decisão é simples: a garantia do empréstimo (automóvel usado) se deteriora rapidamente. Como a inadimplência é elevada, o bem, quando recuperado, não cobria o buraco. Era prejuízo na certa.
No segundo trimestre deste ano, o BC pediu para o Panamericano reforçar as provisões contra calotes duvidosos em R$ 120 milhões (o total acabou subindo para R$ 577 milhões, o equivalente a pouco mais de 6% da carteira de crédito, porcentual pequeno se comparado ao de instituições de grande porte).
A estratégia errada, somada às fraudes contábeis, derrubou o banco, a despeito de dois aportes relevantes realizados nos últimos anos – R$ 777 milhões na abertura de capital (IPO), feita no fim de 2007, e mais R$ 739 milhões obtidos na venda de 49% do capital votante para a Caixa Econômica Federal, em novembro do ano passado.
Comando
A diretoria que esteve à frente do Panamericano em todo esse tempo era liderada por Rafael Palladino (diretor superintendente) e Wilson Roberto de Aro (diretor financeiro e de relações com investidores).
Foram os dois, por exemplo, que comandaram o processo de IPO (abertura de capital na bolsa). Visitaram investidores no Brasil e em outros países para vender o banco. Segundo uma pessoa que acompanhou o processo, eram duros de negócio. Não falavam inglês e “não eram sofisticados”.
Formado em educação física e ex-personal trainer, Palladino é primo de Íris Abravanel. Roberto de Aro é administrador de empresas e começou a trabalhar no Grupo Silvio Santos em 1974. Praticante de tênis, mora em um luxuoso apartamento nos Jardins, bairro nobre de São Paulo.
Fonte: Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo
