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Qual a sua tolerância à fraude?

ContabilTolerância a fraude? A sapiência popular e o mundo corporativo dizem que não têm, e a família geralmente ensina para não cometermos fraudes ou atos ilícitos. Mas o que fazemos quando ela acontece e estas são praticadas por pessoas de sua inteira confiança? Se perguntarmos aos administradores e suas equipes, a resposta será unanime: tolerância zero.

Os estudos, pesquisas, levantamento de validação e auditoria sobre o assunto apontam que, geralmente, as fraudes acontecem com pessoas de nossa inteira confiança. Isso é o mais triste, pois quando desconfiamos, partimos para implementar controles.

Vejamos o fato do PanAmericano. O Silvio Santos foi questionado sobre o ex-presidente do banco por um jornalista se ele havia errado em confiar no diretor, e o empresário-apresentador, de uma maneira simples e rápida, disse que o executivo já trabalhava nas empresas do grupo, mas, infelizmente, proporcionou este desgaste e prejuízo.

Além do mais, a fraude que era de R$ 2,5 bi virou R$ 4,3 bi. Mas será que tudo isso foi de fraude contábil? Quanto foi noticiado busca e apreensão nas residências dos ex-diretores do PanAmericano, alguém se perguntou se a fraude contábil justificaria todo este esforço e aparato policial?

Acredito que não, pois em ambientes sem muito controle, a índole é colocada a prova. Os casos de fraudes recente evidenciam isso. Portanto, o problema pode não ser somente ausência de controles internos, mas também ausência de índole.

Não podemos esquecer das fraudes que mancharam muitas carreiras e deixaram muitas empresas com a imagem e reputação bem complicada, tais como a indiana Satyam Computer Service, Fundo Americano Madoff, Barings, Worldcom, Enron, Parmalat, entre outras, que, no fundo, nos fornecem subsídios através de exemplos práticos de como não gerir uma empresa ou de como proporcionar perdas a investidores e funcionários.

Falar sobre as melhores práticas de controles contábeis, controles internos, governança corporativa, já não é mais do que necessidade. Porém, ainda existem aqueles que não aceitam as mudanças e são reticentes às mesmas. Muitos profissionais ainda possuem resistência a controles. Mas como podemos mudar a cultura dos administradores e/ou gestores e fazer com que eles deem apoio à implementação dos controles, se nós mesmos não fazemos?

Saber ou reconhecer que tais fragilidades existem não proporciona melhores controles, haja vista que existe ineficiência dos órgãos reguladores, através de procedimentos de monitoração, supervisão e auditorias.

Alta administração, conselho da administração, auditorias, sejam elas internas ou externas, deveriam ser os primeiros a cobrar ou mostrar a eficiência do controle e buscar uma maior participação de todos na prevenção. Afinal, qual a sua tolerância à fraude?

Marcos Assi é professor e coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, autor do livro “Controles Internos e Cultura Organizacional – como consolidar a confiança na gestão dos negócios” (Saint Paul Editora) e consultor de Riscos Financeiros e Compliance da Daryus Consultoria. E-mail: professor@marcosassi.com.br.

marcos

Professor, Embaixador e Comendador MSc. Marcos Assi, CCO, CRISC, ISFS – Sócio-Diretor da MASSI Consultoria e Treinamento Ltda – especializada em Governança Corporativa, Compliance, Gestão de Riscos, Controles Internos, Mapeamento de processos, Segurança da Informação e Auditoria Interna. Empresa especializada no atendimento de Cooperativas de Crédito e habilitado pelo SESCOOP no Brasil todo para consultoria e Treinamento. Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Perícia pela FECAP, Certified Compliance Officer – CCO pelo GAFM, Certified in Risk and Information Systems Control – CRISC pelo ISACA e Information Security Foundation – ISFS pelo EXIN.

One thought on “Qual a sua tolerância à fraude?

  • Vlamir Garcia

    Concordo integralmente com a matéria postada e digo que vários fatores podem contribuir para o aumento dos riscos no mundo corporativo, dentre eles, vejo que todas as áreas de negócio de uma organização devem estar engajadas e orientadas aos processos, desta forma, por exemplo, Recursos Humanos moderno deve atuar de forma “cirúrgica” quando da contratação de novos colaboradores.
    As empresas necessitam de maiores controles quando de contratações, seja de empregados ou terceiros, e necessitam de colaboradores que possuam além de valores técnicos valores morais em seus DNA’s, só assim poderemos garantir processos limpos, claros e a tão sonhada sustentabilidade.

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