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Fraudes contábeis: ausência de controle ou de índole?

PressãoÉ interessante que quando é noticiado algo sobre fraude contábil ou financeira de empresas ou de fundos de investimentos, a maioria dos empresários se pergunta se possuem solidez e confiabilidade.

Muito se publicou, por exemplo, sobre a indiana Satyam Computer Service ou o Fundo Americano Madoff. Isso porque não vamos ficar aqui relembrando de Barings, Worldcom, Enron, Parmalat, entre outras empresas que nos fornecem subsídios através de exemplos práticos de como não gerir uma empresa.

As melhores práticas de controles contábeis e/ou internos existem, mas muitos ainda não aceitaram as mudanças e são reticentes às mesmas. Mas como podemos mudar a cultura dos administradores e/ou gestores e fazer com que eles dêem apoio à implementação dos controles?

A cultura organizacional e o apoio da alta administração – e incluímos também o conselho da administração – deveriam ser os primeiros a cobrar a eficiência do controle. Mas não é o que vemos. Muito acham que controle é um empecilho burocrático, mas bem mapeado e devidamente “monitorado”, as possibilidade de fraude ou erro diminui, e muito.

Existem inúmeras ferramentas de controle, que na realidade são conjuntos de sistemas informatizados, processos, políticas e pessoas. Mas sabemos que as fraudes ocorrem, na maioria dos casos, por conluio de várias pessoas e, infelizmente, até mesmo com a participação de membros da alta administração – aqueles que têm o poder de autorização e aprovação. Entretanto, não estão acima das regras e da Lei. Por isso, existe a palavra “índole” – na falta dela, as fraudes ocorrem com maior freqüência.

Pesquisas sobre fraude no Brasil costumam demonstrar que os itens de maior preocupação das pessoas é a insuficiência do sistema de controles internos seguido por controles internos burlados, particularidades do ramo de atuação, além da falta de condução responsável da empresa.

Saber ou reconhecer que tais fragilidades existem não proporciona melhores controles, haja vista que existe ineficiência dos órgãos reguladores, através de procedimentos de monitoração, supervisão e auditorias, que deveriam ser mais bem gerenciados, e até mesmo por não haver ou pela demora de punição das organizações. Isso também deveria ser válido para as empresas de auditorias que deveriam ser menos coniventes com o famoso “jeitinho” nas políticas de processos internos, que muitas vezes estão bem escritas, mas a maioria não conhece o mínimo da informação publicada, e, neste caso, a falta de comunicação e apoio da alta administração é o que proporciona a falha.

Portanto, necessitamos mudar e a ação deve ser conjunta entre órgãos reguladores, as empresas de auditoria, as próprias organizações e os profissionais responsáveis para a aplicação da melhores práticas dos controles internos e contábeis.

marcos

Professor, Embaixador e Comendador MSc. Marcos Assi, CCO, CRISC, ISFS – Sócio-Diretor da MASSI Consultoria e Treinamento Ltda – especializada em Governança Corporativa, Compliance, Gestão de Riscos, Controles Internos, Mapeamento de processos, Segurança da Informação e Auditoria Interna. Empresa especializada no atendimento de Cooperativas de Crédito e habilitado pelo SESCOOP no Brasil todo para consultoria e Treinamento. Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Perícia pela FECAP, Certified Compliance Officer – CCO pelo GAFM, Certified in Risk and Information Systems Control – CRISC pelo ISACA e Information Security Foundation – ISFS pelo EXIN.