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Contabilidade: Olympus revela erros contábeis no Brasil

Num primeiro teste de seus esforços para melhorar os controles internos depois de um escândalo contábil milionário, a Olympus Corp. afirmou que havia informado o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre possíveis irregularidades na contabilidade de despesas no Brasil que podem ter violado a lei americana anticorrupção.

A notícia abalou a confiança de investidores na capacidade da nova diretoria de conduzir a fabricante de câmeras fotográficas e equipamento médico em direção a lucros sustentados. As ações da Olympus fecharam em queda de 6,8%, para 1.380 iene (US$ 17,67) cada em Tóquio, pressionadas pelo possível impacto da declaração da empresa e temores ligados a um processo aberto por um investidor institucional.

Admissões no ano passado por parte de executivos da Olympus de que haviam encoberto até US$ 1,5 bilhão em perdas com investimentos colocaram a companhia no centro de um dos maiores escândalos empresariais do Japão em anos e gerou debate no país sobre o estado da governança corporativa em geral.

Um porta-voz da Olympus confirmou ontem reportagem da Bloomberg em que o presidente do conselho, Yasuyuki Kimoto, aparece dizendo que sua companhia levantou a questão do Brasil com o Departamento de Justiça dos EUA “quatro ou cinco meses atrás”.

O possível problema poderia ser relacionado a como a empresa lançou gastos de médicos para viagens, refeições ou entretenimento numa unidade de treinamento operada pela Olympus no Brasil, segundo a Bloomberg.

“Podemos concordar que houve alguma espécie de violação no Brasil da Lei de Práticas de Corrupção no Estrangeiro […] Entendemos que o [Departamento de Justiça] está tentando reunir muita informação sobre nós”, disse Kimoto no artigo da Bloomberg.

A lei americana de 1977 a que Kimoto se referiu, conhecida pela sigla em inglês FCPA, proíbe o pagamento de suborno a funcionários públicos para assegurar contratos e exige que as empresas que têm papéis negociados nos EUA mantenham livros contábeis e registros acurados. Médicos empregados por hospitais públicos podem ser considerados funcionários públicos.

A Olympus não quis fazer mais comentários sobre suas constatações no Brasil e o que disse ao Departamento de Justiça, citando a investigação em andamento.

Conforme o crescimento econômico enfraquece em países desenvolvidos, multinacionais estão buscando meios de se expandir em mercados emergentes, onde violações à FCPA são mais preocupantes para os EUA, segundo Lesli Ligorner, um sócio em Xangai da firma americana de advocacia Simmons & Simmons.

A SEC, agência que policia o mercado de ações nos EUA, abriu 20 processos civis ligados à FCPA em 2011, comparados a 17 em 2007. O Departamento de Justiça pode abrir queixa criminal contra empresas sob a FCPA, embora a investigação de tais processos possa levar anos.

O Departamento de Justiça não quis comentar sobre as constatações da Olympus no Brasil.

Temores de investidores foram exacerbados ontem por um processo aberto contra a Olympus pela Terumo Corp. A fabricante japonesa de equipamento médico, que tem 2,1% da Olympus, havia proposto uma fusão com a Olympus, no que parecia ser uma tentativa de gorar a oferta da Sony Corp. por uma participação na fabricante de máquinas fotográficas. A Olympus já informou que está procurando um sócio que invista cerca de 50 bilhões de ienes (perto de US$ 640 milhões) para reforçar suas finanças.

Apesar de tentar levar a Olympus para um acordo mais amplo, a Terumo afirmou ontem que abriu um processo numa corte distrital em Tóquio pedindo indenizações pela forte queda no valor de suas ações da Olympus conforme o escândalo contábil se desdobrava. A Terumo afirmou que foi forçada a contabilizar uma perda de 8 bilhões de ienes no ano fiscal encerrado em março, dos quais 6 bilhões de ienes se referiam a títulos de investimento.

A certa altura do escândalo, nada menos que 80% do valor de mercado da Olympus evaporou. No fechamento de ontem, a ação estava 44% abaixo do seu valor antes de o escândalo vir à tona, em outubro.

A Terumo está pedindo 6,61 bilhões de ienes em indenizações mais juros de 5% ao ano até que o caso seja resolvido.

A Olympus não quis comentar sobre a queixa da Terumo antes de a analisar e afirmou que a empresa não podia ainda estimar um possível impacto financeiro. (Colaboraram Kathy Chu e Kenneth Maxwell.)

Fonte:  HIROYUKI KACHI, WSJ, Valor

marcos

Professor, Embaixador e Comendador MSc. Marcos Assi, CCO, CRISC, ISFS – Sócio-Diretor da MASSI Consultoria e Treinamento Ltda – especializada em Governança Corporativa, Compliance, Gestão de Riscos, Controles Internos, Mapeamento de processos, Segurança da Informação e Auditoria Interna. Empresa especializada no atendimento de Cooperativas de Crédito e habilitado pelo SESCOOP no Brasil todo para consultoria e Treinamento. Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Perícia pela FECAP, Certified Compliance Officer – CCO pelo GAFM, Certified in Risk and Information Systems Control – CRISC pelo ISACA e Information Security Foundation – ISFS pelo EXIN.