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Liquidante do banco Cruzeiro do Sul pede a falência da instituição

O liquidante do banco Cruzeiro do Sul, Eduardo Bianchini, entrou com pedido de falência da instituição, tanto do banco como de demais empresas do grupo, na 2ª Vara de Falências de São Paulo.

O liquidante justificou a ação por indícios de infrações administrativas e/ou penais e também em função da moeda de liquidação em 42%. A moeda de liquidação é, portanto, inferior aos 50% exigidos para que contabilmente o BC possa justificar um pedido de falência. Esses 50% têm de cobrir o passivo dos quirografários, ou seja, dos credores que têm recursos a receber, mas não possuem garantia.

O ativo total do banco está em R$ 4 bilhões, enquanto o passivo é de R$ 8,2 bilhões, o que o gera um Patrimônio Líquido (PL) negativo de R$ 4,2 bilhões.

A ação foi solicitada pelo liquidante com autorização posterior do Banco Central. O Banco Cruzeiro do Sul e demais empresas do grupo estão em liquidação extrajudicial desde 14 de setembro de 2012. Em dezembro do ano passado, foi feita a divulgação do Quadro Geral de Credores do Banco Cruzeiro do Sul, que entrou em liquidação ao se tornar um escândalo de fraude de gestão do sistema financeiro.

A Justiça, que chegou a manter os controladores presos por um mês, denominou o caso como “uma das mais graves fraudes da história financeira brasileira” e a imprensa internacional chegou a classificá-lo como uma “história de terror”.

História

O Banco Central decretou a liquidação da instituição após algumas tentativas de se encontrar uma “solução de mercado” para o banco. Durante três meses, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) tentou negociar os ativos do Cruzeiro do Sul com o Banco Santander, como uma forma de evitar a liquidação, mas a empreitada fracassou.

A decisão do BC sobre a liquidação do Cruzeiro do Sul se deu por causa de “sucessivos prejuízos que vinham expondo seus credores ao risco anormal, a deficiência patrimonial e a descumprimento de normas aplicáveis ao sistema financeiro”. Esta é a forma padrão que a instituição muitas vezes usa quando vê indícios de fraude de gestão.

Fraude e prisões

As inspeções ao banco indicaram, até onde se sabe atualmente, um rombo de quase R$ 4 bilhões e cerca de 600 mil contratos de empréstimos fraudados, fechados com CPF falsos ou que não existem. Há indícios ainda de irregularidades em fundos de investimentos negociados pelo Cruzeiro do Sul, além de possibilidade de ter ocorrido maquiagem de balanço.

O caso foi parar na polícia. Os controladores da instituição, Luís Felippe Índio da Costa e seu filho Luís Octávio Índio da Costa foram presos em outubro de 2012 de forma preventiva. Eles teriam tentado movimentar parte de seus bens que estavam bloqueados fora do Brasil, mas acabaram liberados quase um mês depois.

Além disso, um grupo de quase 20 diretores foi indiciado pela Justiça. Recentemente, os controladores do banco, temendo o pedido de falência, tentavam negociar diretamente com credores.

Por conta de todos esses episódios, as investigações do Cruzeiro do Sul ocorrem na área administrativa e também na criminal. A gestão do banco e a ação de seus controladores são apuradas pela Justiça Federal, Ministério Público, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fonte: Estado de Minas – 23/07/2015

marcos

Professor, Embaixador e Comendador MSc. Marcos Assi, CCO, CRISC, ISFS – Sócio-Diretor da MASSI Consultoria e Treinamento Ltda – especializada em Governança Corporativa, Compliance, Gestão de Riscos, Controles Internos, Mapeamento de processos, Segurança da Informação e Auditoria Interna. Empresa especializada no atendimento de Cooperativas de Crédito e habilitado pelo SESCOOP no Brasil todo para consultoria e Treinamento. Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Perícia pela FECAP, Certified Compliance Officer – CCO pelo GAFM, Certified in Risk and Information Systems Control – CRISC pelo ISACA e Information Security Foundation – ISFS pelo EXIN.

One thought on “Liquidante do banco Cruzeiro do Sul pede a falência da instituição

  • JOSE FRANCISCO MIRANDA

    “Liquidante do Banco Cruzeiro do Sul pede a falência da instituição”. Já foi concedida. É só publicar. Com tanto dinheiro tomado dos investidores, rende muito esse Cruzeiro. Quanto à menção de que o FGC, a fim de evitar a liquidação, tentou negociar com o Santander, tratou-se de uma farsa para esconder as irregularidades em prática, veladas pela fachada de um suposto Raet. Não se fazia necessário evitar a liquidação, pois há muito, quebrado, o Cruzeiro custeava os serviços liquidatórios prestados pela IMS (ligada ao diretor do FGC que, às vésperas de assumir oficialmente a espoliação ao BCdoS, mandou retirar seu nome da prestadora de serviços).

    Além do contrato com a IMS, o Banco liquidado foi obrigado a assumir mais 3, resultando na obrigação de custear 4 empresas de TI; o que significou: mais empresas, maior capacidade para movimentar e distribuir valores. Além disso, a IMS, sediada no endereço do Cruzeiro, apropriou-se da estrutura necessária para prestar serviços a várias outras empresas, multiplicando o próprio faturamento e também dos demais divisores.

    A ação orquestrada pela diretoria do FGC, em nenhum momento, chamou a mínima atenção de um BC vitimado pela cegueira adquirida. Aqui, para testar o grau de saúde dos olhos de cada um, vale visualizar os números da autarquia, a seguir, apresentados em relatório enviado ao presidente do CMN, Guido Mantega. Tais números, entretanto, devem ser olhados com cautela, pois é provável que sejam apenas uma fração dos números verdadeiros, como é o caso do pagamento realizado para a IMS: o BC mostra um valor 19 vezes menor do que a denúncia recebida pela Polícia Federal. A polícia investiga se houve lavagem de dinheiro e ocultação de bens pelos diretores à época do FGC.

    Conforme o relatório do BC, o FGC contratou 8 gestores, entre estes, alguns diretores do Fundo, e pagou a cada um R$43.125,00/mês em média. À PwC (que negou à imprensa ter realizado qualquer auditoria nesse período), deu R$2,5 milhões. Para pagar à IMS, tomou do Cruzeiro cerca de R$3,8 milhões (para a PF, foram R$70 milhões); e, às 3 empresas de TI, forneceu R$1,4 milhão. Para um escritório de advocacia, entregou R$452 mil. Em nome de despesas administrativas (papelaria, cafezinho, correio, etc.), torrou R$85 mil.

    Só depende da posição do sujeito: é muito fácil extrair dinheiro de Banco falido. Mais simples do que isso é liquidar um Banco e enriquecer para si e para as gerações seguintes.

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