Com BMG, Itaú diz que vai ampliar crédito a juro baixo
O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, destacou nesta terça-feira que a associação com o BMG se dá em um momento em que o banco procura reduzir o nível de risco de suas operações, inclusive com menor spread (diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes).
“Vamos ampliar muito o crédito com baixos spreads. [A operação] vai ajudar a ampliar a oferta de crédito no Brasil”, disse ao detalhar a associação com o banco mineiro, anunciada na manhã desta terça-feira. “É uma operação importante para nós, em um mercado que continua em crescimento. Consignado deve se igualar ou superar [o crédito para] automóveis.”
Os bancos vão unir forças para oferta, distribuição e comercialização de créditos consignados, aqueles com desconto em folha de pagamento.
Setubal citou que, atualmente, o Itaú tem participação de mercado aquém do desejado nesse segmento. “Nossa operação estava muito vinculada a agências”, acrescentou. “Se começássemos do zero, teríamos muita dificuldade.”
A operação será estruturada como um novo negócio do Itaú e do BMG, por meio de instituição financeira denominada Banco Itaú BMG Consignado. O Itaú Unibanco terá 70% da nova sociedade, ficando o BMG com o restante. O capital inicial da empresa será de R$ 1 bilhão, injetados na proporção que cada sócio detém no novo banco.
Pelo formato do acordo, classificado como “muito simples” por Setubal, o Itaú também continuará gerando crédito consignado em suas agências, sem relação com a joint venture.
Início em 90 dias
A expectativa do Itaú é começar a operar a sociedade com o BMG em 90 dias e, dentro desse prazo, já começará a dar funding para o banco mineiro.
A operação com o Itaú permite que o BMG continue operando “sem ter o constrangimento de ter de parar por falta de capital”, afirmou o presidente do banco mineiro, Ricardo Guimarães.
Ao lado do presidente do Itaú, Guimarães avaliou que o negócio permite que, de alguma maneira, o banco desalavanque as operações. “Podemos operar outras linhas de crédito além do consignado. O banco terá redução de custos importante.”
Segundo Setubal, foram “quatro, cinco dias de negociação” até a operação ser fechada. A sociedade marcou uma reviravolta nas negociações em torno do banco mineiro. Na semana passada, BTG Pactual e Bradesco lideravam as tratativas.
Consignado
O Itaú Unibanco tinha em março uma carteira de R$ 11 bilhões em créditos consignados. O BMG, por sua vez, possuía R$ 28,7 bilhões, sendo que R$ 12,9 bilhões estavam dentro do banco.
A liderança do mercado de consignado é do Banco do Brasil, com R$ 52,6 bilhões. O Bradesco tem R$ 18,4 bilhões e o Santander, R$ 12,8 bilhões.
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