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Riscos da Transformação Digital

A transformação digital é a integração estratégica de tecnologias digitais em todas as áreas de uma organização, mudando fundamentalmente a forma como ela opera e entrega valor ao negócio. Mais do que apenas adotar novas ferramentas, ela exige uma mudança cultural para aumentar a eficiência, agilidade e competitividade.

Não podemos negar que a transformação digital oferece grandes oportunidades, mas traz riscos críticos como: aumento de vulnerabilidades cibernéticas (ransonware, vazamentos de dados), resistência cultural interna, altos custos por falta de planejamento e a “síndrome do objeto brilhante” (adotar tecnologias sem estratégia). A falha em capacitar equipes ou integrar sistemas antigos pode paralisar operações, segundo orienta o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa[1]

Principais Riscos da Transformação Digital:

Cibersegurança e Segurança de Dados: A expansão da superfície digital aumenta a exposição a ataques, roubo de informações confidenciais e violações de privacidade.

Ausência de Processos mapeados: é um risco estratégico para as empresas, funcionando como “navegar sem bússola”, onde a falta de padronização impede o crescimento e a eficiência. Sem o mapeamento, as organizações enfrentam dificuldades para identificar gargalos, aumentar custos e reduzir a produtividade.

Resistência Cultural e Humana: Mudança de mentalidade, falta de liderança digital e resistência dos colaboradores, o que exige gestão de mudanças.

Dependência Tecnológica e Falhas Operacionais: Riscos de interrupção nos negócios devido a sistemas legados incompatíveis, erros na implementação e dependência de fornecedores de TI.

Adoção sem Estratégia (Objeto Brilhante): Investir em tecnologias de ponta (IA, blockchain) sem uma análise de negócio clara, resultando em desperdício de recursos.

Desqualificação da Mão de Obra: Necessidade de requalificação contínua, pois a automação pode substituir trabalhos manuais, exigindo novas competências.

Riscos Sociais e de Saúde: Impactos como fadiga digital, tensão ocular e, no contexto geral, riscos de segurança online para crianças e usuários (phishing, golpes).

Compreender a necessidade (ou urgência) de desenvolver de forma rápida ou tempestiva um programa de transformação digital na organização, é mais complicada e imprecisa para empresas que operam mais distantes das partes interessadas, gestores, processos, diretoria e os clientes finais.

Nosso maior desafio é como compreender e reagir ao comportamento dos envolvidos, e não somente dos gestores diretos, mas de todos que tomarão decisões, com os quais temos geralmente pouco contato.

A transformação digital tende à formação de ecossistemas, nichos internos, paternidade/ maternidade do projeto e como lidamos com redes de informações bem complexas, que em muitos casos abrangem desde fornecedores e parceiros até o cliente final.

Não vejo como uma possibilidade de separar cultura do negócio e a transformação digital, pois, não importa quão boa seja a sua estratégia, os planos poderão falhar sem uma cultura que encoraje as pessoas a implementar essa estratégia.

Se o departamento tem um processo manual ruim, e não realizamos o mapeamento e entendimento do processo, a chance de implementarmos um processo automatizado de baixa qualidade é enorme, pense antes de fazer.

A transformação digital introduz novas metodologias e práticas de trabalho que incidem diretamente e provocam grandes mudanças na cultura organizacional, desta forma pode nascer uma nova cultura, questionando crenças e hábitos estabelecidos, mas os riscos devem ser avaliados e discutidos.

Na publicação Transformação Digital – Riscos Envolvidos no Processo e Recomendações ao Conselho de Administração do IBGC, orienta alguns dos pontos que devemos avaliar:

  • A estrutura hierárquica.
  • A transformação digital ser em um fim em si mesma.
  • A eventual dificuldade da empresa em lidar de forma criativa com o erro.
  • Terceirizar tarefas ligadas a competências essenciais.
  • Iniciativas parciais que afetem a arquitetura dos sistemas e processos.
  • Alocação de recursos insuficientes, falta de orçamentos específicos.
  • Inadequação ou pouco impacto dos processos de transformação implantados, por acompanhamento e avaliações inadequados das reações dos interessados durante o processo de transformação.
  • Conflito de interesses entre as funções que têm que continuar gerando resultados e as funções voltadas ao processo de transformação
  • Falta de analistas e especialistas qualificados na estruturação e análise dos dados.
  • Vulnerabilidade cibernética de sistemas legados.
  • Uso de dados sem a adequada conformidade com as legislações de proteção de dados.
  • Riscos operacionais relevantes que podem surgir durante o processo.
  • Inadequação de controles internos para o processo de transformação digital, ou sua ausência.

Vale a pena salientar aqui que a inadequação ou ausência de controles internos no processo de transformação digital é um fator crítico de risco, capaz de travar a inovação, gerar prejuízos financeiros e comprometer a conformidade legal, devemos alertar que não é apenas uma compra de tecnologia, mas uma mudança estrutural que exige reengenharia de fluxos, governança de dados e gestão de riscos, frequentemente negligenciada pelas empresas.

Afinal como já digo há muito tempo:

“Controles internos bem desenhados são o sistema imunológico da organização.”


[1] Publicação Transformação Digital – Riscos Envolvidos no Processo e Recomendações ao Conselho de Administração produzido pelo grupo de estudos “Transformação Digital” da Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos do IBGC. 

marcos

Professor, Embaixador e Comendador MSc. Marcos Assi, CCO, CRISC, ISFS – Sócio-Diretor da MASSI Consultoria e Treinamento Ltda – especializada em Governança Corporativa, Compliance, Gestão de Riscos, Controles Internos, Mapeamento de processos, Segurança da Informação e Auditoria Interna. Empresa especializada no atendimento de Cooperativas de Crédito e habilitado pelo SESCOOP no Brasil todo para consultoria e Treinamento. Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Perícia pela FECAP, Certified Compliance Officer – CCO pelo GAFM, Certified in Risk and Information Systems Control – CRISC pelo ISACA e Information Security Foundation – ISFS pelo EXIN.