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Bovespa Mais ganha força; qualidade é preocupação

Sete anos e apenas três companhias depois, o Bovespa Mais começa a dar sinais de que pode se tornar uma alternativa viável para pequenas e médias acessarem o mercado de capitais. Mas a qualidade dos participantes será um fator crucial para o sucesso do segmento de negociação, segundo executivos e especialistas.

Críticas iniciais sobre custos relativamente altos ou sobre concorrência com os fundos de investimento em participação aparentemente já não têm tanto peso na decisão das companhias.

“A empresas perceberam que os custos do Bovespa Mais são os mesmos que elas teriam que incorrer em [outras opções] de crescimento”, diz Cristiana Pereira, superintendente de relações com empresas da BM&FBovespa. “Se ela quiser se associar a um parceiro estratégico, por exemplo, vai passar pelo mesmo processo.”

No entanto, o Bovespa Mais ainda terá que enfrentar o desafio de formar um público investidor, que deve ser nacional e com pensamento de longo prazo.

Na semana passada, a empresa de softwares e serviços de TI para instituições financeiras Senior Solution aderiu ao segmento da BM&FBovespa. A companhia fechou 2011 com uma receita líquida de R$ 38,7 milhões e um lucro líquido de R$ 2,3 milhões.

Em fevereiro, o empresário Alexandre Souza de Azambuja, que nos últimos anos atuou em Curitiba como consultor de operações de compra e venda de companhias, anunciou planos de listar quatro empresas pré-operacionais de setores diversos, que vão de salão de beleza a mineração.

Há ainda, em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o pedido de registro do frigorífico Frigol Foods, que, em março do ano passado, conseguiu a aprovação de seus credores para um plano de recuperação judicial.

Além da Senior, o chamado mercado de acesso da BM&FBovespa abriga a Nutriplant, única até o momento a aderir com uma oferta pública inicia de ações, e a Desenvix Energias Renováveis, que se listou no ano passado com o objetivo de se tornar mais conhecida no mercado.

A fabricante de fertilizantes faturou R$ 30 milhões no ano passado e teve prejuízo de R$ 10 milhões. A Desenvix lucrou R$ 2,4 milhões, com uma receita de R$ 143,4 milhões.

Cristiana diz que a divisão do processo em duas partes – primeiro a listagem sem oferta, depois a captação – deixa a empresa em uma posição mais vantajosa.

“A empresa já vai ser conhecida dos investidores e já estará mais acostumada com o relacionamento com o mercado. Isso tende a ser melhor que tocar ao mesmo tempo dois processos muito desgastantes – a abertura de capital e a oferta, “, diz.

Quanto mais empresas fizerem a adesão, maior será a vitrine disponível aos investidores.

A vantagem desse modelo, ressalta Carlos Lobo, sócio da área de mercado de capitais da Veirano Advogados, é que ele independe das condições de mercado.

“Se a empresa inicia o processo de abertura de capital e a oferta pública ao mesmo tempo e a janela de mercado para captações fecha, ela terá de abortar a operação, com perda de tempo e de recursos gastos o processo”, diz Lobo.

“Por outro lado, se fizer a listagem primeiro poderá captar com mais rapidez quando tiver mais certeza sobre a demanda dos investidores”, diz.

Os custos das empresas com a realização das ofertas de ações são mais elevados que com os procedimentos para obter o registro de companhia aberta.

“Optando por listar sem oferta pública, a empresa vai ter custos menores e risco zero. Concluindo a listagem, o benefício de aproximação com os investidores já é garantido. Não será uma despesa, mas sim um investimento”, diz.

Segundo o sócio da Veirano, várias empresas de pequeno e médio portes consultaram o escritório para iniciar esse processo.

“O BNDES é um outro parceiro importante para esse segmento e, à medida que listar empresas no Bovespa Mais, poderá ajudar a alimentar um ‘ efeito manada'”.

Bernardo Gomes, presidente da Senior Solution, acredita que o sucesso do Bovespa Mais vai depender da qualidade das empresas que entrarem no segmento.

A Senior Solution olhava o Bovespa Mais desde 2008, mas teve os planos de listagem e captação interrompidos por conta da crise financeira global.

A empresa quer acelerar seu plano de crescimento via aquisições, iniciado em 2005, quando passou a contar com dois sócios: o fundo de participações Stratus e a BNDESPar.

Luiz Souto, superintendente da área de capital empreendedor do BNDES, diz que a previsão de abertura de capital foi condição prévia para o ingresso na companhia, por conta da orientação estratégica da BNDESPar de desenvolvimento do mercado de capitais enquanto fonte de captação de recursos para as empresas brasileiras.

“A listagem no Bovespa Mais de empresas da nossa carteira faz parte do compromisso do BNDES com o desenvolvimento do mercado de capitais, especialmente no segmento de empresas emergentes, ainda pouco explorado no Brasil”, diz Souto.

Para o BNDES, a listagem no Bovespa Mais pode ser encarada como um passo preparatório importante para essas companhias, pois permite que acessem gradualmente o mercado de capitais, ao exigir a adoção de práticas de governança e a concessão aos acionistas de direitos adicionais aos previstos em lei.

Como benefício, há o fortalecimento da sua imagem perante os clientes, instituições financeiras e potenciais investidores, o que facilita futuras captações de recursos, sejam em ofertas públicas ou privadas, como pretende a Senior mais a curto prazo.

Além disso, diz o executivo do BNDES, o ingresso da empresa no Bovespa Mais pode servir de estímulo para que outras companhias do mesmo porte tomem coragem de fazer o mesmo.

Alberto Camões, diretor do fundo Stratus, afirma que o Bovespa Mais não compete com os fundos de “private equity”. “As duas atividades são complementares, há espaço para ambos”, diz.

Um grupo de trabalho da BM&FBovespa fará uma turnê em junho por Inglaterra, Espanha, Polônia, Austrália, Coreia e China para conhecer experiências de sucesso no mercado de acesso e trazer essas informações para o Brasil.

“Queremos saber se há necessidade de mudanças nas regras do Bovespa Mais”, diz Cristiana. “Notamos que em outros lugares, por exemplo, é comum que as empresas tenham incentivos fiscais.”

Fonte: Ana Paula Ragazzi, Valor Economico

marcos

Professor, Embaixador e Comendador MSc. Marcos Assi, CCO, CRISC, ISFS – Sócio-Diretor da MASSI Consultoria e Treinamento Ltda – especializada em Governança Corporativa, Compliance, Gestão de Riscos, Controles Internos, Mapeamento de processos, Segurança da Informação e Auditoria Interna. Empresa especializada no atendimento de Cooperativas de Crédito e habilitado pelo SESCOOP no Brasil todo para consultoria e Treinamento. Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC-SP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FMU, com Pós-Graduação em Auditoria Interna e Perícia pela FECAP, Certified Compliance Officer – CCO pelo GAFM, Certified in Risk and Information Systems Control – CRISC pelo ISACA e Information Security Foundation – ISFS pelo EXIN.